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25 MAI 2021
Resenha da Semana - Entre Lidas e Vindas

Resenha - O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

O Apanhador no Campo de Centeio é um livro que vem atravessando gerações e consegue permanecer atual. Creio que essa seja a melhor forma de começar um texto sobre o clássico de J. D. Salinger. Com um resumo sincero. É um livro ótimo, apesar de ser irritante em alguns momentos. E o desfecho de tudo faz valer a pena o estranhamento.

Quando comecei a ler essa história, tive duas impressões. Imagino que a primeira seja a mesma de quase todo mundo: achei o personagem principal um pouco chato. E a segunda: fiquei impressionada com a linguagem, que não era nem de perto o que eu imaginava que seria a de um livro lançado entre 1945 e 1946.

Mas no fim, muito disso faz sentido. O livro conta a história de Holden Caufield, um adolescente com uma série de problemas, que é expulso de basicamente todas as escolas por onde passa, apesar de ser bastante inteligente. Ao longo do livro, o leitor percebe o tom de crítica trazido por Holden por participar de uma sociedade que ele considera alienada.

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler e fica querendo ser um grande amigo do autor, para se poder telefonar para ele toda vez que der vontade. Mas isso é raro de acontecer." J. D. Salinger

A história começa quando Holden recebe uma carta de expulsão do internato onde está. Antes de dizer aos pais que mais uma vez vai precisar voltar para casa, o jovem decide passar alguns dias sozinho em Nova York.

Já na cidade grande, ele decide se hospedar em um hotel, em vez de voltar para a casa da família. Ele anda por bares, encontra turistas, encontra uma ex-namorada, professores de quem recebe conselhos sobre a vida... enfim, uma série de acontecimentos que o fazem repensar atos ou confirmar pensamentos que já tinha.

Quando comecei a ler o livro, fiquei sem entender o motivo do nome "O apanhador no campo de centenio", já que achei que não tinha nada a ver com o que eu imaginava - mesmo! Mas achei muito bacana quando isso foi explicado. Não tenho muita certeza de que isso pode ser ou não um spoiler (a explicação está em vários textos da internet), então se você quiser evitar, pule o próximo parágrafo.

Durante uma visita de Holden à sua irmã, Holden explica que se imagina como um guardião de crianças que vivem correndo e brincando em um campo de centeio, na beira de um precipício. E seu trabalho é apanhá-las e salvá-las da queda caso elas cheguem perto da beirada. Por isso, ele seria o apanhador no campo de centeio.

Basicamente, Holden é um adolescente frustrado com o seu próprio mundo e que não faz questão de esconder isso. Quando superamos essa questão e entendemos o motivo de esse adolescente ser assim, é possível ver a simplicidade e genialidade dessa história.

 

A influência d'O Apanhador no Campo de Centeio

Esse livro retrata um adolescente que podemos chamar de rebelde - alguns acreditam que 'sem causa' -, e que tem em si a falta da sensação de pertencimento ao mundo que o cerca. É claro, então, que podemos entender que essa obra influenciou milhares de pessoas desde o seu lançamento. São inúmeras as histórias que cercam a vida de Salinger, e elas nem sempre são boas.

O escritor moveu e comoveu gerações de jovens que fizeram parte da geração beat. Existem relatos, por exemplo, de que Bob Dylan, quando ainda adolescente, chegou a fugir diversas vezes de casa por influência deste livro.

O que talvez chame um pouco mais a atenção são os crimes cometidos sob o que os criminosos chamaram de 'a influência' do livro.

O caso mais famoso talvez seja o da morte de John Lennon. O assassino, Mark David Chapman, foi encontrado pela polícia perto do local do crime, lendo 'O apanhador'. Na delegacia, ele escreveu "minha confissão" no livro, e assinou como Holden Caufield. Outro caso conhecido é o de John Hinkley, que tentou assassinar Ronald Reagan enquanto carregava uma cópia.

Enfim, são muitas as lendas em torno da obra, mas o que podemos dizer é que o livro de Salinger é realmente diferente daquilo que imaginamos antes de abrir sua capa. E vale a pena abri-la.

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