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25 ABR 2018
Iza Luiza

Foi difícil vir para Criciúma com duas filhas pequenas sem conhecer ninguém. Nessa época eu ainda era casada.

Tempos depois pessoas da comunidade me falaram sobre um recém-nascido que precisava de uma família, pois os pais não tinham condições de criá-lo. Eu nem pensei duas vezes e o adotei. Com isso, ficou difícil sair para trabalhar fora e acabei montando uma creche domiciliar na minha própria casa, onde cuidava dos meus filhos e mais três crianças. Após dois anos acabei fechando a creche e voltei a trabalhar como manicure.

Depois de um tempo me divorciei e virei pai e mãe. Não tinha mais com quem dividir os problemas, questionamentos e responsabilidades. Me vi sozinha, com três filhos pequenos e contando com o apoio e solidariedade de amigos e vizinhos. Acabei fazendo o que achava certo. Para sustentar a família tive que procurar um emprego e, quando consegui, deixava as meninas mais velhas cuidando do meu caçula.

Fui a melhor mãe que eu pude, naquele momento, e com as condições que eu tinha.

Acho que errei muito, mas sempre tentando acertar e ser uma boa mãe. Tenho alguns arrependimentos, mas sei que todo o aprendizado foi essencial para a educação dos meus filhos. Sempre amei com desapego e os ensinei a serem independentes. Não quero que eles sofram se algo acontecer comigo, não acho justo. Sempre incentivei a buscarem seus espaços e que mesmo longe de mim, não sofressem, só tivessem uma saudade tranquila, sem apego.

Sou totalmente desapegada, amo meus filhos, cuido deles de longe e deixo que eles vivam as suas vidas. Sem cobranças, sem certo e errado. Quando tem desapego o amor é mais gostoso e meus filhos ficam livres.

 

25 ABR 2018
Helga

Vivíamos um momento de intensa felicidade no casamento, na carreira, em família e com os amigos. Tudo parecia perfeito, mas faltava alguma coisa e aos trinta e cinco anos senti uma vontade inexplicável de ser mãe.

Tentamos ter nosso filho de maneira natural, porém logo tivemos a notícia de que eu teria uma complicação e que naturalmente a gravidez não aconteceria. Foi então que partimos para o desafio da fertilização. Há quinze anos, existiam poucos médicos que faziam este procedimento o que o tornava muito caro, tentamos duas vezes e, como não deu certo, acabamos desistindo e foi neste momento que tivemos a percepção que, para ter um filho, não precisaríamos gerar, precisaríamos criar e amar. Partimos para os trâmites da adoção, com entrevistas, visitas e enfim estávamos na fila.

Com a documentação toda pronta, ficamos muito ansiosos para ter logo uma criança e acabamos compartilhando com muitos amigos e, em um belo dia, tivemos uma  surpresa, recebemos um bebê na porta da nossa casa, alguém imaginou que seria bem recebido. E foi, só que por pouco tempo, após quatro meses de convívio e felicidade, começaram as ligações de chantagem para devolvermos a criança ou pagar valores em dinheiro. Ficamos muito decepcionados e por instrução do advogado acabamos devolvendo a criança aos pais. Foi muito triste, acho que uma das maiores dores que já sentimos na vida!

Passados seis meses, houve uma nova perspectiva de ter uma criança, ficamos sabendo de um caso onde a mãe teria que doar a criança após o nascimento pois não teria como criá-la. Sentimos que poderia ser bom para nós duas, para a mãe, a qual resolveria seu problema imediatamente, e para nós também. Passamos a acompanhar a gravidez sempre de longe, sem fazer pressão e, logo após o nascimento, ela nos chamou, nos fez prometer que criaríamos o bebê de forma carinhosa e que faríamos dele uma pessoa educada, preparada para a vida, afinal, uma pessoa do bem.

Estávamos muito, mas muito felizes, e procuramos o juizado para registrá-la. Porém para nossa surpresa, não poderíamos ficar com a criança, pois ela teria que ir para um orfanato. Daí começou nossa aflição. Havíamos prometido para a mãe que nós cuidaríamos do bebê, e agora não podíamos fazê-lo. Resolvemos entrar na justiça para requerer a guarda, mostrar que fizemos tudo certo e que não teriam motivo para nos retirar o bebê. Porém, mesmo assim, a justiça insistia que durante o processo o bebê teria que ir para um orfanato.

Enquanto aguardávamos as notícias do advogado, fomos surpreendidos em casa por um oficial de justiça que queria levar a criança. Foquei apavorada e com ajuda de meu esposo, fugi para o apartamento de uma amiga com o bebê no colo. Meu marido despistou o oficial.

Foi então que bolamos um plano meio maluco, mas que seria a única chance de ficar com o nosso filho. Resolvemos sumir até acabar o processo. Desta forma, nós poderíamos ter nossa vida com o bebê desde os primeiros dias com  tranquilidade, que era o que precisávamos. Para a justiça, pode não ser importante, mas para nós, era tudo. Fiquei durante seis meses escondida, longe da nossa casa, da família, do trabalho e dos amigos, na casa de uma amiga que me ajudou muito. Foram dias muito tensos e incertos e o que me dava força era ver aquele serzinho tão frágil e tão importante.

Após seis meses de angústia, recebemos a notícia de que o juiz havia lido o processo e percebido que não havia motivos para negar a guarda. Após esta notícia, voltamos para nossa casa, desta vez sem medos, para começar uma história em família.

Hoje, passados quatorze anos, posso dizer que neste dia eu fui completamente feliz! Tudo valeu a pena, hoje, somos muito felizes. Afirmo que pensamos que faríamos um bem a uma criança, mas quem nos faz muito bem mesmo, é ele. 

Te amamos filho!!!   

25 ABR 2018
Adjane

Não foi fácil ter meus dois filhos. Antes de o Gabriel chegar para nós, tive dois abortos espontâneos, fiz tratamento por um ano e mesmo assim não conseguia engravidar. Já estava na fila da adoção quando engravidei naturalmente, aos trinta e cinco anos. Era uma menina. Com trinta e quatro semanas de gestação, o cordão umbilical enrolou na perninha do bebê, tive que fazer uma cesárea, mas ele já estava morto. Foi um momento difícil demais.

Um ano depois - eu já estava conformada que não teria filhos, recebo uma ligação dizendo que nosso filho havia nascido. Eu e minha irmã fomos ao hospital para vê-lo. Foi emocionante! Era muito parecido com o bebê que eu havia perdido!

Quando Gabriel tinha dois anos, fui diagnosticada com Amiloidose, uma doença rara que vai atingindo todos os órgãos e fazendo com que eles parem de funcionar. Mesmo com o problema de saúde, decidimos adotar mais uma criança, queríamos que o Gabriel tivesse irmãos.

Ele estava prestes a completar seis anos e fomos novamente chamados para a adoção. Isabela estava com nove meses de idade e havia passado cinco deles no orfanato.

Eles estão com quinze e dez anos e são a minha força.  Os problemas de saúde se agravaram muito, mais do que eu imaginava, e é por amor a eles que não me entrego à doença.

25 ABR 2018
Denize e Rita

Somos mães de duas crianças únicas!

Maria Rita, sete anos, nos ensina diariamente que tudo deve ser feito a seu tempo, que devemos viver um dia de cada vez, aproveitando cada momento. Caio, doze anos, por sua vez, nos ensina que não devemos aceitar aquilo que incomoda, nos instiga e provoca para que lutemos por um mundo melhor para ele, para sua irmã, para todas as pessoas.

Não vamos dizer que é fácil sermos mulheres, lésbicas, casadas civilmente, numa sociedade ainda tão intolerante. Não é. O mundo ainda odeia pessoas que se amam assim. Há hostilidade, às vezes, há violências.

Mas quer saber? Sermos lésbicas é apenas um detalhe diante da maternidade. Nossa orientação sexual não influencia em nada diante do que é preciso para sermos MÃES: amor, empatia, cuidado, esforço, responsabilidade. Sabemos que, pelo nosso príncipe e princesa, temos que colorir esse mundo.

Tudo vai ficar bem.

25 ABR 2018
Maria Julita

Sempre quis ser mãe, como me casei mais tarde, engravidei aos trinta e oito anos.

Embora minha mãe tenha tido a última filha aos quarenta e três anos, tinha medo, pois o prazo de validade das mulheres para a maternidade me assustava.  A notícia da gravidez foi motivo de intensa emoção. Imediatamente tive a sensação de que a partir daquele momento eu não seria mais a mesma mulher, meu corpo abrigava além de mim, um outro ser. Nosso bebê foi muito esperado.  Muitas emoções em cada fase da gravidez, ansiedades iniciais, medo de não estar preparada para a maternidade, felicidade na descoberta do sexo, na definição do nome, entre tantas outras descobertas.

Ao fim da gestação, fiquei de repouso por problemas de diabetes gestacional e hipertensão, antecipando em dezessete dias o parto. Beatriz nasceu de baixo peso, mais em nenhum momento tive dúvidas de minha força, sob a orientação pediátrica, para que ela se desenvolvesse normalmente. Ser mãe é uma dádiva. A maternidade desencadeou em mim um processo de maturidade, autoconfiança, realização e a experiência de viver um vínculo de afeto que não terá fim.

O sentimento de amor na relação com um filho é indescritível.  Para poder dar a atenção que ela necessitava em função do baixo peso, busquei um trabalho, com carga horária reduzida, com total disposição para uma readaptação.  Tudo correu sempre muito bem.  Meu marido e eu celebramos cada fase da vida dela e nossa. Os primeiros sons, os primeiros sorrisos, as primeiras falas, os primeiros passos, a pré-escola, a escola, a faculdade, o namoro, o noivado, a profissão, tudo muito compartilhado.

Quando Beatriz tinha treze anos recebi o diagnóstico de uma doença grave. Naquele momento tive medo de não vê-la adulta, mas tudo foi superado.  

Também conciliei com muita tranquilidade a maternidade e a vida profissional, exercendo funções que me exigiram viagens e ausências em casa, sempre com muito apoio do meu marido.  Acredito que isso não tenha prejudicado em nada seu desenvolvimento. Hoje, está noiva, ainda morando conosco. Temos muita afinidade, amizade e cumplicidade. Sou uma mulher muito feliz e realizada com a maternidade.