Foi difícil vir para Criciúma com duas filhas pequenas sem conhecer ninguém. Nessa época eu ainda era casada.
Tempos depois pessoas da comunidade me falaram sobre um recém-nascido que precisava de uma família, pois os pais não tinham condições de criá-lo. Eu nem pensei duas vezes e o adotei. Com isso, ficou difícil sair para trabalhar fora e acabei montando uma creche domiciliar na minha própria casa, onde cuidava dos meus filhos e mais três crianças. Após dois anos acabei fechando a creche e voltei a trabalhar como manicure.
Depois de um tempo me divorciei e virei pai e mãe. Não tinha mais com quem dividir os problemas, questionamentos e responsabilidades. Me vi sozinha, com três filhos pequenos e contando com o apoio e solidariedade de amigos e vizinhos. Acabei fazendo o que achava certo. Para sustentar a família tive que procurar um emprego e, quando consegui, deixava as meninas mais velhas cuidando do meu caçula.
Fui a melhor mãe que eu pude, naquele momento, e com as condições que eu tinha.
Acho que errei muito, mas sempre tentando acertar e ser uma boa mãe. Tenho alguns arrependimentos, mas sei que todo o aprendizado foi essencial para a educação dos meus filhos. Sempre amei com desapego e os ensinei a serem independentes. Não quero que eles sofram se algo acontecer comigo, não acho justo. Sempre incentivei a buscarem seus espaços e que mesmo longe de mim, não sofressem, só tivessem uma saudade tranquila, sem apego.
Sou totalmente desapegada, amo meus filhos, cuido deles de longe e deixo que eles vivam as suas vidas. Sem cobranças, sem certo e errado. Quando tem desapego o amor é mais gostoso e meus filhos ficam livres.