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16 JUN 2021
Resenha da semana - Entre Lidas e Vindas

A gente já conhece parte da história de Tituba mesmo sem saber. Quem aqui não ouviu falar das Bruxas de Salém? Pois então, elas existiram. Mas não como a nossa imaginação infantil nos permitia até aqui: com chapéu pontudo e voando em vassouras. Elas são mulheres que passaram por uma série de julgamentos e audiências após serem acusadas de bruxaria em uma região dos Estados Unidos. As primeiras e principais prisões aconteceram em uma vila chamada Salém, que hoje é conhecida como Danvers, nos Estados Unidos.

Neste livro, a autora Maryse Condé decide recriar a história de Tituba, uma das três primeiras mulheres julgadas em Salém. A narrativa mistura realidade e ficção. Muito se baseia na realidade da protagonista. Entretanto, após o julgamento, sua história foi "esquecida" pelos historiadores. Por isso, e a partir daí, Maryse Condé decidiu recriar alguns pontos para traçar um novo destino para Tituba.

 

TRECHO

"Abena, minha mãe, foi violentada por um marinheiro inglês no convés do Christ the King, num dia de 16**, quando o navio zarpava para Barbados. Dessa agressão nasci. Desse ato de agressão e desprezo."

 

Assim começa o livro, e logo no primeiro parágrafo, Condé nos dá uma ideia de como será a história: forte e poderosa.

Por ter nascido sendo fruto de um estupro, ainda criança Tituba encontrava resistência em seu relacionamento com a mãe – uma escrava levada a Barbados, nas Antilhas. Essa falta se compensava, no entanto, pelo amor do pai adotivo, Yao. Logo no início da história, Tituba perde a mãe e o pai e passa a ser sozinha no mundo.

Como ainda era criança, a menina não se prendeu à Casa Grande e acabou encontrando Man Yaya, uma negra livre que decidiu cuidar dela. Durante sua formação e criação, Tituba aprendeu com a mulher como utilizar a natureza a seu favor, principalmente no uso de plantas medicinais e na crença e conversa com os mortos. Desde sempre, e até o fim da história, no entanto, estes conhecimentos foram utilizados para o bem.

Após a morte de Man Yaya, Tituba conheceu o escravo John Indien, por quem se apaixonou. Apesar dos conselhos dos espíritos em quem confiava, a mulher decidiu por se render à escravidão para ficar perto de Indien. Pouco tempo depois, o casal foi vendido a um religioso que levou eles e outros escravos de Barbados para Boston, nos Estados Unidos.

Após algum tempo, a família do novo "senhor" precisou se mudar para o vilarejo de Salem. Desde a viagem, Tituba se aproximou da esposa e das filhas deste homem, já que elas estavam constantemente doentes e também sentiam-se, de certa forma, presas a ele. Logo após este período, começou a "famosa" caça às bruxas de Salem. E após anos usando seus poderes e sabedoria para ajudar, Tituba se viu envolta em acusações de ter usado bruxaria.

A partir daí, desenrola-se um período de audiências, julgamentos e prisões para a protagonista. Durante este período, Tituba se vê sozinha e acaba alternando períodos de raiva, em que tenta defender-se, e de aceitação, em que não encontra saída para os problemas.

 

TRECHO

"Devo dizer que tudo isso não me preocupada muito. Eu sabia, eu estava condenada à vida!"

 

Um destaque especial deste livro: a transcrição das respostas de Tituba no julgamento real. Acho que essa é, sem dúvida, a parte mais interessante da obra. Até certo ponto do livro, eu não tinha entendido ainda que tratava-se da história de uma mulher que realmente existiu. Quando eu entendi isso (talvez até mais tarde do que outras pessoas), achei tudo muito genial. A história de Tituba realmente vale a pena ser conhecida.

 

E pra finalizar, a ótima notícia pra quem é de Criciúma e região: a coluna ganhou um cupom de desconto pra chamar de nosso na Livraria Ponto e Vírgula, localizada aqui no 1º andar do Shopping Della! Quem é leitor daqui tem 15% de desconto nos livros citados ou em livros que já têm resenha na coluna (rola essa página pra baixo e acompanha!). É só falar com a Grazi ou com o Rodrigo e avisar que leu sobre o livro aqui, na resenha Entre Lidas e Vindas!

09 JUN 2021
Resenha da semana - Entre Lidas e Vindas

Nos últimos anos, Colleen Hoover tem buscado mudar um pouco o rumo de suas histórias – basicamente conhecidas por serem romances que abordam questões como depressão, divórcio, violência doméstica, entre outras. Em seus últimos livros, ela começou a trabalhar thrillers e suspenses, e agora, com Layla, tentou abordar o mundo sobrenatural e paranormal. Alguém tem dúvida de que ela conseguiu? A mulher é um fenômeno.

Dessa vez, a autora nos traz a história de Layla e Leeds Gabriel. Ele é um músico descontente com a banda em que trabalha, e que apesar de ser rico, continua viajando em turnês com o grupo. Em uma das apresentações, durante um casamento em uma pousada, Leeds conhece Layla, a irmã da noiva que parece não se importar com o que os outros pensem enquanto ela dança. Os dois acabam se apaixonando e não desgrudam mais um do outro.

Depois de algum tempo juntos, eles passam por um acidente que coloca Layla em um longo processo de recuperação. A protagonista teve uma séria lesão na cabeça, e parece sofrer lapsos de memória, além do estresse e do trauma gerados com o caso. Para tentar ajudá-la, Leeds tem uma ideia: levá-la à pousada onde se conheceram, para que ela tenha um tempo de lazer enquanto ele trabalha em novas músicas.

Após algum tempo, uma nova hóspede chega à pousada. Willow passa a conversar com Leeds Gabriel e acaba virando uma espécie de válvula de escape para o rapaz, que tem se mostrado cansado da situação em que estava envolvido. A partir de então, vemos como Leeds consegue lidar com Layla e Willow estando no mesmo lugar, ao mesmo tempo em que busca respostas para questões que ele não consegue compreender. Lembra que o livro aborda a paranormalidade? Então.

Esse é um resumo do resumo do resumo da ópera. Qualquer coisa que eu tente abordar a partir daqui pode virar um spoiler, e eu quero que vocês leiam o livro sem ter ideia do que está acontecendo. Vale a pena! A única coisa que vou deixar registrado aqui é que durante a maior parte das páginas, eu não gostei de como o protagonista lidou com a questão de Layla e sua recuperação. Cheguei a cogitar a possibilidade de abandonar o livro. Mas segui até o fim, e vou te garantir que as coisas são resolvidas e bem explicadas.

 

E pra finalizar, a ótima notícia pra quem é de Criciúma e região: a coluna ganhou um cupom de desconto pra chamar de nosso na Livraria Ponto e Vírgula, localizada no Shopping Della, em Criciúma! Quem é leitor daqui tem 15% de desconto nos livros citados ou em livros que já têm resenha na coluna (rola essa página pra baixo e acompanha!). É só falar com a Grazi ou com o Rodrigo e avisar que leu sobre o livro aqui, na Entre Lidas e Vindas!

25 MAI 2021
Resenha da Semana - Entre Lidas e Vindas

Resenha - O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

O Apanhador no Campo de Centeio é um livro que vem atravessando gerações e consegue permanecer atual. Creio que essa seja a melhor forma de começar um texto sobre o clássico de J. D. Salinger. Com um resumo sincero. É um livro ótimo, apesar de ser irritante em alguns momentos. E o desfecho de tudo faz valer a pena o estranhamento.

Quando comecei a ler essa história, tive duas impressões. Imagino que a primeira seja a mesma de quase todo mundo: achei o personagem principal um pouco chato. E a segunda: fiquei impressionada com a linguagem, que não era nem de perto o que eu imaginava que seria a de um livro lançado entre 1945 e 1946.

Mas no fim, muito disso faz sentido. O livro conta a história de Holden Caufield, um adolescente com uma série de problemas, que é expulso de basicamente todas as escolas por onde passa, apesar de ser bastante inteligente. Ao longo do livro, o leitor percebe o tom de crítica trazido por Holden por participar de uma sociedade que ele considera alienada.

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler e fica querendo ser um grande amigo do autor, para se poder telefonar para ele toda vez que der vontade. Mas isso é raro de acontecer." J. D. Salinger

A história começa quando Holden recebe uma carta de expulsão do internato onde está. Antes de dizer aos pais que mais uma vez vai precisar voltar para casa, o jovem decide passar alguns dias sozinho em Nova York.

Já na cidade grande, ele decide se hospedar em um hotel, em vez de voltar para a casa da família. Ele anda por bares, encontra turistas, encontra uma ex-namorada, professores de quem recebe conselhos sobre a vida... enfim, uma série de acontecimentos que o fazem repensar atos ou confirmar pensamentos que já tinha.

Quando comecei a ler o livro, fiquei sem entender o motivo do nome "O apanhador no campo de centenio", já que achei que não tinha nada a ver com o que eu imaginava - mesmo! Mas achei muito bacana quando isso foi explicado. Não tenho muita certeza de que isso pode ser ou não um spoiler (a explicação está em vários textos da internet), então se você quiser evitar, pule o próximo parágrafo.

Durante uma visita de Holden à sua irmã, Holden explica que se imagina como um guardião de crianças que vivem correndo e brincando em um campo de centeio, na beira de um precipício. E seu trabalho é apanhá-las e salvá-las da queda caso elas cheguem perto da beirada. Por isso, ele seria o apanhador no campo de centeio.

Basicamente, Holden é um adolescente frustrado com o seu próprio mundo e que não faz questão de esconder isso. Quando superamos essa questão e entendemos o motivo de esse adolescente ser assim, é possível ver a simplicidade e genialidade dessa história.

 

A influência d'O Apanhador no Campo de Centeio

Esse livro retrata um adolescente que podemos chamar de rebelde - alguns acreditam que 'sem causa' -, e que tem em si a falta da sensação de pertencimento ao mundo que o cerca. É claro, então, que podemos entender que essa obra influenciou milhares de pessoas desde o seu lançamento. São inúmeras as histórias que cercam a vida de Salinger, e elas nem sempre são boas.

O escritor moveu e comoveu gerações de jovens que fizeram parte da geração beat. Existem relatos, por exemplo, de que Bob Dylan, quando ainda adolescente, chegou a fugir diversas vezes de casa por influência deste livro.

O que talvez chame um pouco mais a atenção são os crimes cometidos sob o que os criminosos chamaram de 'a influência' do livro.

O caso mais famoso talvez seja o da morte de John Lennon. O assassino, Mark David Chapman, foi encontrado pela polícia perto do local do crime, lendo 'O apanhador'. Na delegacia, ele escreveu "minha confissão" no livro, e assinou como Holden Caufield. Outro caso conhecido é o de John Hinkley, que tentou assassinar Ronald Reagan enquanto carregava uma cópia.

Enfim, são muitas as lendas em torno da obra, mas o que podemos dizer é que o livro de Salinger é realmente diferente daquilo que imaginamos antes de abrir sua capa. E vale a pena abri-la.

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11 MAI 2021
Resenha da semana - Entre Lidas e Vindas

Resenha - Um gato de rua chamado Bob

 

Após passar por dificuldades em diversas áreas de sua vida, James Bowen acabou morando na rua e se viciou em drogas. Ele aceitou a ajuda do governo para se livrar do vício e, como consequência, foi morar em uma casa destinada aos pacientes em recuperação. Para seu próprio sustento, James tocava música no centro de Londres, onde ganhava um pouco de dinheiro em cada apresentação.

Foi depois de chegar de uma apresentação que James deparou-se com um gato laranjinha encolhido em um corredor de seu prédio. Ele esperou alguns dias, para que o bicho voltasse ao seu dono, mas quando isso não aconteceu, James resolveu trazer o gato – a quem chamou de Bob – para casa. O animal virou seu companheiro de vida, e o acompanhava para as apresentações, encantando todos que passavam e ajudando seu novo dono e deixar de ser "invisível para a sociedade".

No livro, James conta como foi ter medo de ser o responsável por outra vida além de a sua própria, e como este desafio o ajudou a perceber que ele precisava estar bem para fazer com que Bob sobrevivesse.

Um gato de rua chamado Bob conta a história real de como o bichano ajudou James a se reerguer e conseguir se livrar, finalmente, do vício em drogas. O livro foi escrito pelo próprio James Bowen. Através da história é possível compreender - além da importância de uma grande amizade - um pouco do mundo daqueles que precisam trabalhar ou morar nas ruas de uma grande capital. A história deu origem a um filme com o mesmo nome do livro.

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20 ABR 2021
Entre Lidas e Vindas - Resenha do dia: O Clube do Livro dos Homens

Com o projeto Entre Lidas e Vindas, a fim de incentivar a leitura no nosso cotidiano, na resenha especial do dia de hoje da jornalista Amanda Ludwig, teremos um dos títulos da escritora Lyssa Kay Adams, com o exemplar: O Clube do Livro dos Homens.

"Você gosta de livro água com açúcar, no melhor estilo de comédia romântica? Então já está indicado: você vai gostar de Clube do Livro dos Homens, de Lyssa Kay Adams. Logo no primeiro capítulo conhecemos a crise que vai permear toda a história: Gavin está bêbado, em um quarto de hotel, após ter saído de casa por conta de uma briga com a esposa.

Ele é "resgatado" de lá por seus colegas do time de beisebol, que prometem: vão ajudá-lo a reconquistar a esposa, Thea. Pra isso, Gavin participará do Clube do Livro dos Homens. Neste clube, vários amigos se juntam em leitura de romances que os ajudam a entender a perspectiva de uma mulher dentro de um relacionamento. O melhor detalhe: todos eles conseguiram dar a volta por cima e superar as crises do casamento por conta do clube.

Particularmente, achei muito bacana a premissa trabalhada no livro, de que um clube de livro composto por atletas de beisebol não precisa ser uma piada pronta. Eles realmente leem os livros com o objetivo de melhorar como pessoa, e como forma de entregar um desempenho livre de preconceitos ao casamento.

– Não precisa seguir o passo a passo – respondeu Del. – A questão é adequar as lições ao seu próprio casamento. Além do mais, esse livro é da Regência, então...

– Regência? Que droga é essa?

– Quer dizer que se passa na Inglaterra do século XVIII ou do começo do século XIX.

– Ah, que ótimo. Parece bem atual.

– Mas é – observou Malcolm. – As autoras dos romances usam a sociedade patriarcal da antiga aristocracia britânica para refletir sobre as limitações impostas pelo gênero que as mulheres de hoje sofrem, tanto na esfera profissional quanto na pessoal. É uma leitura bem feminista.

Mas esse também não é um livro sobre o feminismo, não. O trecho acima é um dos poucos que tratam do assunto, e eu resolvi colocar ele por aqui só para você entender um pouco do que eu estava falando.

Ao mesmo tempo em que Gavin participa da leitura do romance para reconquistar a esposa, Thea está lidando com as duas filhas gêmeas em casa e tentando retomar a vida que deixou de lado durante o casamento. Ela passa a mostrar seu lado mais 'impulsivo' ao derrubar uma parede ou se inscrever de novo na faculdade, por exemplo. Os dois casaram jovens, logo após Thea ter engravidado, e apesar de nenhum deles ter considerado isso um erro, viram o casamento ser engolido pela rotina.

A partir daí, os dois recomeçam do início: eles passam a se conhecer melhor e lidar melhor um com o outro e com sua relação. Também achei muito bacana a forma com que eles lidam com as crianças, duas meninas, mesmo estando em crise no casamento. Elas chegam a perceber que algo está errado, mas o casal tenta envolvê-las o mínimo possível em toda a confusão. E é isso: o que acontece no clube do livro, fica no clube do livro."

Curtiu a resenha? Então corre aqui na Livraria Ponto e Vírgula, localizada no 1º andar do Shopping Della. Fala com o Rodrigo ou com a Grazi, ou chama por eles no WhatsApp de número (48) 9 9650-0947.